Moisés, o ‘Eusébio do Andebol Português’

Recorte retirado do livro ‘Clube Oriental de Lisboa: Histórias do nosso clube’ (2013), de Víctor Figueiredo

A história do Clube Oriental de Lisboa não se resume apenas ao futebol. Exemplo disso mesmo é o andebol, modalidade herdada do Marvilense Futebol Clube, um dos emblemas da fusão de 1946, e que já competia oficialmente desde 1937. Tanto na extinta variante de 11 jogadores, como na de 7, as equipas orientalistas deram-nos a conhecer figuras de enorme valor. Uma das mais proeminentes, Moisés António Martins dos Santos (ou simplesmente Moisés), chegou a ser apelidada de ‘Eusébio do Andebol Português’, pelo jornalista desportivo António Freitas, na década de 1960. Esta honrosa comparação justificou a recolha de novo fragmento da história oral do emblema marvilense, junto do próprio Moisés.

«Nasci em Vale Formoso, na Covilhã, mas vim trabalhar com 14 anos para Braço de Prata. Na altura o Marques fazia parte da equipa do Oriental, e começou a desafiar-me a experimentar. Acabou por arrastar-me para o Oriental. Ele até tem a mania de dizer que ele é que me trouxe. Depois foi a minha vez a arrastar a minha turma da Escola Afonso Domingues para o Oriental, onde fomos campeões de juniores»

«Não gostava muito de futebol, e o andebol foi por mero acaso. Ainda joguei futebol, mas tenho um problema: tenho medo de cabecear. Joguei várias vezes, mas a bola não podia bater na cabeça»

«Era melhor jogador de andebol de 7 do que de 11. Era muito magrinho, na altura até me chamavam ‘caveira luminosa’. Em andebol de 11, quando chovia, tinha algumas dificuldades. Não tinha grande aderência ao piso, nós jogávamos com botas»

«Quando jogávamos andebol de 11, enchíamos o campo com 7 mil pessoas. Quando houve um jogo decisivo com o Sporting CP, onde ganhámos 6-4, eu marquei quatro golos, e acabou tudo ao murro a oito minutos do fim, estavam 7 mil pessoas. Púnhamos mais gente ali no campo no andebol de 11, do que no futebol, curiosamente. Depois quando passámos a jogar mais andebol de 7, enchíamos o campo de Xabregas»

«Na década de 1970, com o aparecimento dos Jogos de Lisboa, passei a ser um dos treinadores da Câmara Municipal de Lisboa. Então cheguei a treinar sozinho mais de 100 miúdos. A Câmara financiava, e nós criámos uma escola de miúdos entre os 6 e os 18 anos. Nessa altura, também treinava todas as equipas do Oriental, desde os mais novos às primeiras categorias. Participávamos nos Jogos de Lisboa, e depois os mesmos miúdos participavam no Campeonato de Lisboa. Este trabalho nas camadas jovens deu ao Oriental títulos importantes»

«O Clube Oriental de Lisboa não só tem história no futebol como também é dono de um grande historial no andebol. Isso nunca poderá ser ignorado»
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